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Artistas da Escola do Pirambu lutam para ter de volta obra que está com à UFC há mais de 40 anos

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Artistas da Escola do Pirambu estão realizando um movimento on-line intitulado ““Justiça para os pintores da Escola do Pirambu – Chico da Silva” buscando ter de volta uma pintura cujo nome é “Homens Trabalhando” que está com a Universidade Federal do Ceara (UFC) há mais de 40 anos.

A luta dos artistas começou em 1977 quando o artista Hélio Rôla inscreveu a performance “Homens Trabalhando” no XXVII Salão de Abril. O trabalho se tratava da pintura coletiva de um painel realizada pelos pintores da Escola do Pirambu: Claudionor (José Cláudio Nogueira), Babá (Sebastião Lima da Silva), Chica da Silva (Francisco da Silva), Garcia (José Garcia de Santos Gomes) e Ivan (Ivan José de Assis)

A ideia era valorizar e tornar conhecido o trabalho dos pintores do Pirambu e a Escola Chico da Silva incluindo-os no circuito oficial de artes a partir do Salão de Abril contribuindo com a desconstrução do discurso que marginalizava a produção dos artistas. A Escola do Pirambu foi criada por Chico da Silva, e no local crianças e adolescentes com talento para as artes trabalhavam e aprendiam ao seu lado. 

Na época, Chico da Silva estava internado e Hélio Rôla, era médico e conseguiu uma licença que permitiu ao artista participar diariamente da performance. Ao final da exposição era preciso um lugar para guardar o painel e Hêlio Rôla, professor da UFC, estava indo fazer um pós-doutorado na França durante dois anos, então, solicitou que a obra ficasse guardado provisoriamente na Biblioteca da Faculdade de Medicina até que seus donos, os autores, definissem o destino que seria dado a mesma.

Ao retornar ao Brasil, Hêlio Rôla vez inúmeras tentativas para que a obra fosse devolvida aos verdadeiros donos, mas não obteve sucesso. A Universidade sempre apresentou algum impedimento para que a devolução ocorresse, também não manifestava interesse em adquiri-la formalmente. Em 2020, durante o 71º Salão de Abril, Chico da Silva foi homenageado e a obra foi pauta de discussão, mas não houve avanço a questão da devolução ou compra do painel pela UFC.

De acordo com informações, a Universidade procurou os artistas dizendo que a obra estava precisando ser restaurada, pois estava em más condições de conservação após ser exposta por mais de 40 anos. E os pintores se recusaram a fazer a restauração sem que houvesse a devolução ou posição oficial da UFC. 

Procurada a universidade disse através da assessoria de imprensa que “por ser a presença do referido painel artístico na Universidade Federal do Ceará um fato que já ultrapassa quatro décadas, a administração da Instituição informa que somente se pronunciará sobre o tema caso seja instada por canais oficiais e por interessados que apresentem razões de fato e de direito sobre o painel. Logo, sem mais a declarar por ora”.

Segundo um trecho da petição on-line diz que: “a apropriação indevida do painel pela UFC marca de maneira negativa a história das artes visuais cearenses. Garcia e Babá, os únicos autores vivos do painel, seguem injustiçados e marginalizados. É de suma importância que seja feita essa reparação histórica e o painel seja adquirido legalmente pela UFC ou devolvido aos seus verdadeiros donos de direito. Para que esses artistas que participaram dessa importante escola de arte do Ceará possam ter reconhecidos seus valores e suas habilidades”.

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