
O oseltamivir só faz efeito no tratamento de gripes causadas pelo vírus da influenza
Com a circulação de vírus respiratórios, é comum a procura de medicamentos que tratem os sintomas gripais. Entre eles, está o oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, indicado para o tratamento de casos graves de gripe causados pelo vírus influenza. No entanto, especialistas alertam que o medicamento não deve ser utilizado sem avaliação médica, já que nem todo quadro gripal é causado por influenza.
De acordo com orientações do Ministério da Saúde, a chamada síndrome gripal pode ser causada por diferentes agentes, ou seja, diversos vírus respiratórios podem provocar sintomas semelhantes, como febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo e coriza. Por isso, o diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento adequado.
A médica infectologista do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Fernanda Remígio, reforça que o medicamento precisa de prescrição.
Para a profissional, o uso inadequado do medicamento pode expor o paciente a efeitos colaterais desnecessários e ainda contribuir para a resistência viral
Segundo a especialista, a decisão de iniciar o tratamento com o oseltamivir depende de uma avaliação clínica completa. O médico é quem deve analisar a gravidade do quadro clínico, a idade do paciente, a presença de comorbidades e outros fatores de risco que possam levar a um quadro mais grave.
Em grande parte dos casos, a gripe é uma doença autolimitada, ou seja, melhora espontaneamente após alguns dias, principalmente em jovens e adultos saudáveis, com alguns cuidados básicos como repouso, bastante hidratação e uso de medicamentos simples para o controle da febre e da dor.
Por isso, o tratamento com o oseltamivir é prioritariamente indicado para pessoas com maior risco de desenvolver complicações, como:
Além desses grupos, o medicamento também é indicado em casos mais graves da doença ou quando há sinais de agravamento do quadro clínico e respiratório.
De acordo com a infectologista Fernanda Remígio, o tratamento para quem tem indicação do uso do fármaco deve ser iniciado o mais cedo possível após o início dos sintomas. “O ideal é dentro de cinco dias do início do quadro, de preferência nas primeiras 48 horas, que é quando a medicação tem maior eficácia”, ressalta a infectologista.
De acordo com o farmacêutico do Hospital São José, Mário Lima, o medicamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mediante prescrição médica.
“No Ceará, o medicamento pode ser obtido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também no Hospital São José. Para receber o medicamento, é necessário apresentar receita médica impressa. Em casos de teleatendimento, a receita deve ter a assinatura eletrônica do prescritor”, explica o farmacêutico.



