
Com seminário, exposição dedicada ao Ferroviário Atlético Clube e atividades em Fortaleza e no Crato, programação reúne diferentes perspectivas sobre o patrimônio ferroviário cearense
O Museu Ferroviário Estação João Felipe comemora três anos de funcionamento com uma programação gratuita ao longo de novembro, dedicada à história, à memória e à pesquisa sobre o patrimônio ferroviário cearense. A agenda reúne rodas de conversa, percursos, oficinas, visitas mediadas, mesas-redondas, apresentação teatral e abertura de exposição. Entre os destaques estão o seminário “Preservar, pesquisar e imaginar”, de 12 a 14 de novembro, e a inauguração da exposição “Um trem chamado Ferrão: trabalho, futebol e paixão”, no dia 18.
“Celebrar os três anos do Museu Ferroviário é uma oportunidade de refletir sobre o trabalho desenvolvido até aqui e sobre as histórias que ainda precisamos conhecer. A pesquisa tem um papel fundamental nesse processo, pois nos permite reconhecer diferentes experiências, saberes e memórias, ampliando o conhecimento sobre o patrimônio ferroviário cearense. Com esta programação, queremos compartilhar essas reflexões com o público e estimular novos olhares sobre a história da ferrovia e suas relações com a sociedade”, destaca o diretor do Museu, Alênio Alencar.
Como parte das comemorações dos três anos do Museu, o seminário “Preservar, pesquisar e imaginar” promove atividades que abordam a preservação do patrimônio ferroviário, a produção de conhecimentos e as diferentes histórias e experiências relacionadas à ferrovia no Ceará.
A programação do seminário começa na quinta-feira (12), das 9h às 11h, com o percurso “Oficinas Demosthenes Rockert (Oficinas do Urubu): trabalho e lazer”, conduzido pelo artista e ferroviário aposentado Antônio Simão. Realizada nas antigas oficinas ferroviárias, atualmente localizadas na área da Transnordestina Logística, a atividade apresenta a importância do espaço para a história da ferrovia no Ceará, destacando as funções desempenhadas pelos trabalhadores e as experiências de convivência, lazer e sociabilidade.
O seminário também apresenta desdobramentos do Edital Saberes Ferroviários, lançado pelo Museu para incentivar a produção de pesquisas sobre o patrimônio ferroviário cearense. Na quinta-feira (12), das 15h às 17h, a oficina “Missão Trilhos: memória e meio ambiente na ferrovia cearense”, com a arquiteta e urbanista Millena Fontes, uma das bolsistas do programa, aborda as relações entre a implantação da ferrovia, as transformações da paisagem e os modos de vida no estado. A atividade combina visita à exposição de longa duração do Museu, investigação em grupo e produção coletiva de painéis sobre os impactos da ferrovia no território cearense.
Na sexta-feira (13), das 14h às 16h, o Auditório da Pinacoteca do Ceará recebe a mesa-redonda “Pesquisa em museus: acervo, memória e experiências”, com a professora Teresa Scheiner, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), e o museólogo Saulo Moreno, servidor do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc/UFC). O encontro discute o papel dos museus como espaços de investigação e produção de conhecimentos, considerando as relações entre acervos, sujeitos, territórios e diferentes formas de construção da memória. Com transmissão ao vivo pelo canal do Museu no YouTube, a atividade também destaca os silêncios e as disputas presentes nas narrativas patrimoniais, a partir da pergunta: o que, quem e para quem os museus pesquisam?
Encerrando as atividades do dia, às 16h, a Trupe ‘Caba de Chegar’ apresenta o espetáculo “Naquela estação”, composto por três esquetes que narram as relações entre a ferrovia, os deslocamentos e os modos de vida no Ceará. As histórias tratam de questões como os conflitos familiares, a migração provocada pela seca e o cultivo do café no Maciço de Baturité, tendo as estações ferroviárias como parte dos acontecimentos.
No sábado (14), das 9h às 10h, a visita mediada “O Poço da Draga e a ferrovia”, conduzida por Izabel Lima, presidente da instituição Velaumar, percorre as relações históricas entre a comunidade do Poço da Draga, as atividades portuárias e o transporte ferroviário em Fortaleza. A iniciativa destaca as memórias dos moradores e trabalhadores e as transformações vivenciadas pelo território.
À tarde, das 14h às 17h, a Escadaria da KUYA – Centro de Design do Ceará recebe a mesa-redonda “Saberes Ferroviários: Memórias negras nos trilhos do Ceará”, com Antônio Wilame Jr. e Eduardo Menezes, sob mediação de Ana Sara Cortez. O momento será transmitido ao vivo pelo canal do Museu no YouTube.
O encontro apresenta resultados da linha de pesquisa “A população negra e a ferrovia do Ceará”, desenvolvida pelo Programa de Pesquisa Saberes Ferroviários. A investigação discute a participação da população negra no sistema ferroviário cearense, destacando trajetórias, relações de trabalho, conhecimentos e experiências que contribuem para ampliar as narrativas sobre a memória social da ferrovia sob uma perspectiva étnico-racial.
No dia 18 de novembro, a programação comemorativa destaca a história do Ferroviário Atlético Clube (FAC). Das 15h às 17h, a roda de conversa “Matapasto e Jurubeba: o início do Ferroviário Atlético Clube” aborda as origens do clube, fundado a partir da união de duas equipes formadas por trabalhadores da Rede de Viação Cearense (RVC). A atividade é gratuita, com 30 vagas preenchidas por ordem de chegada.
Na sequência, às 17h, o Museu inaugura a exposição “Um trem chamado Ferrão: trabalho, futebol e paixão”, na Galeria Ramos Cotoco, no Theatro José de Alencar. Com curadoria de João Vitor Santos, a mostra aborda as relações entre o trabalho nas ferrovias e a prática do futebol a partir da história do clube.
Com fotografias e objetos do acervo do FAC, a exposição destaca a figura do jogador-operário, que conciliava as atividades profissionais com a prática esportiva, e as relações de classe e raça presentes na história do futebol em Fortaleza. A mostra amplia a compreensão sobre o patrimônio ferroviário ao abordar experiências que ultrapassam os espaços de trabalho e alcançam o esporte, a cultura e a vida comunitária.
As comemorações começam no dia 4 de novembro, com a exibição do documentário “O que é passado não passou”, dirigido pelo ferroviário Hamilton Pereira e realizado pela Associação de Engenheiros da Rede de Viação Cearense (AERVC). A produção reúne imagens históricas, músicas e relatos sobre a trajetória ferroviária no Ceará. Após a sessão, uma roda de conversa abre espaço para o compartilhamento de lembranças e reflexões sobre o filme.
No dia 7, as atividades chegam ao Crato, em celebração aos 100 anos da estação ferroviária do município, completados em 8 de novembro. O percurso “100 anos da Estação do Crato: memória, território e comunidade”, conduzido por Ana Isabel Cortez e Suelanho Alencar, explora as relações entre o complexo ferroviário e a Comunidade do Gesso, abordando a formação urbana, as memórias dos moradores e os desafios de preservação do patrimônio. Na mesma manhã, a oficina “Pintando a estação”, com Thiago Gabriel, apresenta técnicas de pintura em madeira e possibilidades de atuação na economia criativa.
A programação continua no dia 25, com uma roda de conversa em homenagem ao engenheiro ferroviário Helder Girão, destacando sua trajetória e suas contribuições para a história da ferrovia cearense. No dia 28, o Museu realiza uma visita mediada com acessibilidade em Libras à exposição Nos trilhos do tempo. Histórias da ferrovia do Ceará, como parte do programa Ferrovia Acessível.
3 anos do Museu Ferroviário Estação João Felipe
Destaques: Seminário “Preservar, pesquisar e imaginar” (12 a 14/11) e abertura da exposição “Um trem chamado Ferrão: trabalho, futebol e paixão” (18/11).
Programação gratuita
4 de novembro (quarta-feira)
14h às 16h | Exibição do documentário “O que é passado não passou” + roda de conversa
Participação: membros da Associação de Engenheiros da Rede de Viação Cearense
Local: Associação dos Ferroviários Aposentados do Ceará (Afac)
30 vagas, por ordem de chegada
Classificação: livre
7 de novembro (sábado) — Crato
7h às 11h | Percurso “100 anos da Estação do Crato: memória, território e comunidade” + Oficina “Pintando a estação”
Condução: Ana Isabel Cortez Reis e Suelanho Alencar (percurso) e Thiago Gabriel (oficina)
Local: Estação Ferroviária do Crato e Comunidade do Gesso e Sede do Projeto Nova Vida (Rua São Francisco, 58 – Pinto Madeira, Crato)
20 vagas, mediante inscrição por formulário
Classificação: livre
12 de novembro (quinta-feira)
9h às 11h | Percurso “Oficinas Demosthenes Rockert (Oficinas do Urubu): trabalho e lazer”
Condução: Antônio Simão
Local: Transnordestina Logística (Av. Francisco Sá, 4829 – Álvaro Weyne, Fortaleza)
10 vagas destinadas a ferroviários aposentados
15h às 17h | Oficina “Missão Trilhos: memória e meio ambiente na ferrovia cearense”
Ministrante: Millena Fontes
Local: Museu Ferroviário Estação João Felipe e Ateliê II da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n – Centro, Fortaleza)
20 vagas, mediante inscrição por formulário
Com tradução em Libras
Esta atividade integra a programação do Festival Afrocearensidades
13 de novembro (sexta-feira)
14h às 17h | Mesa-redonda “Pesquisa em museus: acervo, memória e experiências”
Participação: Teresa Scheiner e Saulo Moreno Rocha
Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n – Centro, Fortaleza)
80 vagas, por ordem de chegada
Com tradução em Libras e transmissão ao vivo pelo canal do Museu no YouTube
16h às 17h | Espetáculo “Naquela estação”
Apresentação: Trupe ‘Caba de Chegar’
Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n – Centro, Fortaleza)
80 vagas, por ordem de chegada
Com tradução em Libras
14 de novembro (sábado)
9h às 10h | Visita mediada “O Poço da Draga e a ferrovia”
Condução: Izabel Lima
Local: Poço da Draga (ponto de encontro próximo ao Pavilhão Atlântico)
20 vagas, mediante inscrição por formulário
Esta atividade integra a programação do Festival Afrocearensidades
14h às 17h | Mesa-redonda “Saberes Ferroviários: Memórias negras nos trilhos do Ceará”
Participação: Antônio Wilame Jr. e Eduardo Menezes
Mediação: Ana Sara Cortez
60 vagas, por ordem de chegada
Com tradução em Libras e transmissão ao vivo pelo canal do Museu no YouTube
Esta atividade integra a programação do Festival Afrocearensidades
18 de novembro (quarta-feira)
15h às 17h | Roda de conversa “Matapasto e Jurubeba: o início do Ferroviário Atlético Clube”, com Chateaubriand Arrais Filho, Emmanuel Garcia e Jeff Peixoto
30 vagas, por ordem de chegada
Classificação: livre
Local: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro, Fortaleza)
17h | Abertura da exposição “Um trem chamado Ferrão: trabalho, futebol e paixão”
Curadoria: João Vitor dos Santos
Local: Galeria Ramos Cotoco – Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro, Fortaleza)
Entrada gratuita
Com tradução em Libras
Esta atividade integra a programação do Festival Afrocearensidades
21 de novembro (sábado)
Condução: Sabrina Alencar
Local: Museu Ferroviário Estação João Felipe – exposição Nos trilhos do tempo. Histórias da ferrovia do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n – Centro, Fortaleza)
15 vagas, mediante inscrição por formulário
Classificação: livre
Recomenda-se a leitura prévia de Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo.
Esta atividade integra a programação do Festival Afrocearensidades
25 de novembro (quarta-feira)
14h às 16h | Roda de conversa “Homenagem ao engenheiro ferroviário Helder Girão”
Participação: membros da Associação de Engenheiros da Rede de Viação Cearense e Ellen Santos
30 vagas, por ordem de chegada
Classificação: livre
28 de novembro (sábado)
16h às 17h | Visita mediada com acessibilidade em Libras
Condução: Núcleo Educativo do Museu
Local: Museu Ferroviário Estação João Felipe (Rua 24 de Maio, s/n – Centro, Fortaleza)
30 vagas, por ordem de chegada
Classificação: livre
Mais informações: museuferroviario.cultura.ce.gov.br e @museuferroviariojoaofelipe (Instagram, Facebook e YouTube).
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