Uma tarde repleta de sorrisos, acolhimento e garantia de direitos. Foi nesse clima que a Câmara de Fortaleza, por meio da sua Coordenadoria de Inclusão e o Espaço Evoluir, visitaram a sede da Associação Fortaleza Down, localizada no bairro Parque Manibura, na tarde desta quarta-feira (26). A ação celebrou a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla de forma prática e acolhedora, trocando as tradicionais palestras por serviços essenciais, escuta ativa e convivência.
Levar a estrutura do Poder Legislativo para além
das dependências da Casa é o grande objetivo dessa iniciativa. De acordo com
Lívia Vasconcelos, gestora de Inclusão da Câmara de Fortaleza, a ação busca
encurtar distâncias e levar oportunidades reais para a comunidade.
“Como a inclusão é um dos pilares da nossa Casa, nada melhor do que sair dos muros da Câmara e realizar essas ações para que todos tenham acesso e informação. Trouxemos orientações sobre direitos humanos, apoio para cadastro de adultos com Síndrome de Down no mercado de trabalho e parcerias com grandes profissionais. Além disso, hoje conto na minha equipe com um assistente com Síndrome de Down, que nos ajuda a mostrar essa vivência de perto, que é exatamente o que precisamos para incluir e garantir direitos de verdade”, destacou Lívia.
Serviços especializados
Essa corrente ganhou um reforço de peso com a
presença do Espaço Evoluir, que levou atendimentos em musicoterapia, suporte
psicológico, momentos de lazer e um lanche coletivo para os assistidos. Para a
Dra. Cinthya Viana, coordenadora do Espaço Evoluir, a aproximação entre as
instituições é fundamental para atender a uma demanda crescente.
“Essa parceria busca exatamente levar o serviço para fora dos muros da Câmara, o que é um momento muito gratificante para nós do Espaço Evoluir. Trouxemos a musicoterapia, que é uma atividade de bastante movimento, para trabalhar a ludicidade e a expressão corporal. Queremos que as famílias e as pessoas neurodivergentes conheçam um pouco do nosso trabalho”, destacou a Dra. Cinthya.
Além da gestão de inclusão e da equipe do Espaço Evoluir, o encontro contou com a presença de Walber Nogueira, advogado do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Popular Dom Aloísio Lorscheider, que ouviu as demandas dos pais. A reunião também teve a participação de Kelliane Demetro, representando a área de Desenvolvimento Pessoal da Câmara.
No evento, a presidente da Associação Fortaleza Down, Shirley Chaves, ressaltou a importância do apoio institucional para fortalecer a entidade, que hoje lida com uma demanda expressiva e desafiadora. “É um grande prazer trazer essa equipe a sede da Associação para mostrarmos o nosso trabalho e estreitarmos laços. Hoje, a Associação Fortaleza Down atende mais de 900 famílias, mas os recursos vêm de doações dos próprios pais. O atendimento que temos hoje é uma gota d’água no oceano diante da necessidade. Saber que existem projetos para estender esses serviços à sociedade nos enche de esperança, pois precisamos unir forças para atender essa maioria que precisa de suporte”, explicou Shirley.
A sustentabilidade da Associação Fortaleza Down
depende do envolvimento comunitário e do trabalho voluntário. A instituição
oferece desde estímulo precoce (com fisioterapia, psicologia e terapia
ocupacional) até oficinas de dança, pintura, teatro e socialização para jovens
e adultos.
Bia Pontes,
secretária da associação, reforçou que o foco principal da instituição é
revelar potencialidades. “O grande
intuito da Fortaleza Down é mostrar que essas pessoas têm um potencial enorme e
só precisam de oportunidades. Quando envolvemos a família e promovemos essa
interação entre crianças, jovens e adultos, os resultados são incríveis”,
evidenciou.
Na ponta desse atendimento estão famílias como a de
Antônia Sena e sua filha Isabela, de 17 anos. Moradoras do bairro Lagoa
Redonda, elas frequentam a associação duas vezes por semana há cerca de três
anos. Para Antônia, o espaço foi o divisor de águas no desenvolvimento e na
autoestima da filha.
“Depois que conheci
a associação, muita coisa mudou na minha vida e, principalmente, na da Isabela.
Antes ela não se aceitava por falta de convívio com outros jovens. Quando
começou a frequentar o grupo de dança e a interagir, tudo mudou. Hoje ela enche
o peito e diz com orgulho que tem Síndrome de Down! Além das consultas com
nutricionista e clínico geral, a convivência com as outras mães é uma
verdadeira terapia diária para nós. A gente toma café, traz bolo, comemora
aniversários. É um suporte essencial tanto para os filhos quanto para os
pais”, celebrou Antônia.
Combinando ações de cidadania, encaminhamento profissional e momentos de afeto, a visita reafirmou que a inclusão social em Fortaleza se constrói no dia a dia, abrindo portas, ouvindo histórias e caminhando de mãos dadas com a comunidade.
Fotos: Érika Fonseca.