O senador Camilo Santana (PT-CE) deve ser o novo coordenador geral da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A informação, que ainda não foi confirmada oficialmente pela cúpula do partido nem pelo próprio senador, circula nos bastidores da campanha desde a noite desta terça-feira e é tratada como provável por interlocutores próximos ao comando da reeleição.
Segundo relatos de aliados que participaram das reuniões de balanço do primeiro turno, a entrada de Camilo Santana no núcleo central teria como objetivo principal fortalecer a articulação política e dar maior capilaridade à mobilização nos estados. O senador cearense, que é considerado um dos principais quadros do PT no Nordeste, atuaria em conjunto com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, na coordenação das ações de rua e no diálogo com lideranças regionais.
Entre as funções que lhe seriam atribuídas, caso a nomeação se concretize, estariam a elaboração de novas peças de comunicação para o segundo turno, a avaliação do desempenho da campanha nas redes sociais e a convocação de deputados e senadores eleitos pela base governista. A expectativa, segundo fontes ligadas ao comitê, é de que Camilo utilize sua influência para engajar o Congresso e as bancadas estaduais na defesa da candidatura de Lula.
A possível escolha do senador ocorreria em um momento delicado para a campanha. No primeiro turno, o presidente Lula obteve 45,15% dos votos válidos, ficando atrás do candidato Flávio Bolsonaro, que alcançou 47,04%. O resultado apertado acendeu um alerta no comando da campanha, que agora buscaria reverter a desvantagem numérica e garantir a vitória no dia 30 de outubro.
A principal missão de Camilo Santana, caso a articulação se confirme, seria replicar no cenário nacional a estratégia que garantiu a reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas, ainda no primeiro turno. O estado é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste e um reduto histórico do PT. A cúpula partidária avaliaria que a experiência do senador na região poderia ser decisiva para consolidar e ampliar a vantagem de Lula no Nordeste, região onde o presidente tem seu melhor desempenho nas pesquisas.
Além da coordenação política, a campanha também esperaria que Camilo Santana atuasse como um porta-voz ativo nas regiões Norte e Nordeste, contrapondo-se à força da oposição no Sudeste e no Sul do país. A primeira agenda oficial do senador como coordenador geral, no entanto, ainda não tem data para acontecer e depende da confirmação oficial do convite, que até o momento não foi formalizado por nenhuma autoridade da campanha.
Procurados, a assessoria de Camilo Santana e a coordenação da campanha de Lula não se manifestaram até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para atualizações.

