O contato com a terra, o aroma do adubo e a textura das folhas das plantas marcaram a ação “Semeando o futuro” realizada pelo Espaço Evoluir em parceria com o Núcleo de Sustentabilidade nesta terça-feira, 22. Para muitos, o ato de plantar uma muda pode parecer apenas uma dinâmica comum, mas para quem lida cotidianamente com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a síndrome de Down ou outras demandas do neurodesenvolvimento, encarar novos estímulos sensoriais e ambientes com fluxo de pessoas pode representar um desafio marcante.
No Espaço Evoluir, a celebração do Dia da Árvore transformou a conscientização ambiental em uma vivência terapêutica. Por meio de um estímulo sensorial e interativo de plantio de mudas, o núcleo uniu acolhimento, desenvolvimento multidisciplinar e integração familiar para demonstrar que a evolução terapêutica ganha potência quando conduzida de forma leve e cheia de afeto.

“Essa ação de hoje vem com a temática ‘Semeando o futuro’, pois queremos deixar frutos nessas crianças. Elas vão poder levar a muda para casa e trabalhar com a questão do tempo, da espera, da percepção de que essa plantinha vai crescer. A dinâmica proporciona que eles tenham também a responsabilidade de cuidar da plantinha”, destaca Cinthya Viana, coordenadora do Espaço Evoluir.
Reforçando o compromisso de que as terapias podem ter uma abordagem lúdica e envolver as famílias nas ações, Cinthya Viana ressalta a importância da integração da equipe multidisciplinar do núcleo. “Temos uma excelente equipe e trabalhamos de uma forma parceira. Essa ação de hoje faz um link com o serviço de Terapia Ocupacional, trabalhando o lado sensorial. Essa criança que hoje está tendo esse contato com a areia, com o adubo, com o aspecto da planta está vivenciando o resultado do nosso trabalho em conjunto”, reforça.
Para Josivânia Moreira e Rafaela Lima, mães de Lara Sophia e Heitor, respectivamente, o momento traz vivências importantes para o desenvolvimento dos filhos. A interação com as outras crianças e as famílias tem sido uma barreira superada com os momentos proporcionados pelo Espaço.

“Esse momento é muito importante para o desenvolvimento dela e para a gente também. Como mãe, é muito satisfatório ver ela participar das atividades. Ela tinha dificuldade quando tinha muita gente e hoje ela já está mais tranquila, se habituando aos eventos que estão acontecendo”, destaca Josivânia Moreira, que espera contribuir para que Lara Sophia possa ter uma profissão e superar as barreiras apresentadas pelo autismo.

“O Heitor desenvolveu muito bem desde que ele chegou aqui no Espaço. Eles vêm fazendo um trabalho muito bom de desenvolvimento com fonoaudiologia, psicomotricidade e psicoterapia. E ele participar desses momentos de interação é muito importante para o desenvolvimento cognitivo dele, de entendimento, de cuidado e de socialização com as outras crianças”, destaca Rafaela Lima.
A integração sensorial é um dos eixos essenciais para a autonomia de pessoas atípicas. Elementos com texturas marcantes — como terra ou adubo — costumam gerar receio inicial em quem apresenta hiperresponsividade tátil. No entanto, ao inserir esses materiais dentro de um contexto festivo, a apreensão cede espaço à curiosidade e ao desejo de participar.
“Quando propomos essas atividades diferenciadas, pensamos no desenvolvimento integral e no estímulo global — tato, visão, olfato e socialização. São diversas entradas sensoriais organizadas para que a pessoa experimente esses estímulos de uma forma natural. Às vezes, alguém sente receio no começo, mas ao ver as outras pessoas participando, ganha confiança para tocar na terra e perceber que é uma experiência positiva.”, explica Letícia Nogueira, terapeuta ocupacional do Espaço Evoluir.

A programação contou com a parceria do Núcleo de Sustentabilidade, reforçando que sustentabilidade e inclusão compartilham o mesmo princípio: o cuidado com o coletivo.
“O Espaço Evoluir é um espaço de inclusão, então a sustentabilidade também trabalha com a inclusão. No momento em que a gente traz o Dia da Árvore, um momento tão importante para a preservação do meio ambiente, temos essa dinâmica de plantio de árvores e também um teatro de fantoches, que educa as crianças e estimula a vivência de tocar na terra, plantar sua mudinha e assim fazer o trabalho de preservação ambiental”, destaca Heury Silva, coordenador do Núcleo de Sustentabilidade.
Foto: Larissa Nobre

