Editoras ligadas ao setor de produção de livros no Ceará passaram a integrar o foco de uma investigação da Polícia Federal que apura a destinação e a movimentação de recursos públicos relacionados a projetos educacionais e culturais. A apuração também alcança o deputado federal Mário Frias e pessoas ligadas à produção do filme Dark Horse.
De acordo com os elementos reunidos na investigação, duas editoras relacionadas ao empresário Heric Dias receberam, juntas, R$ 700 mil de uma entidade envolvida nos projetos investigados. Os pagamentos estariam vinculados a uma iniciativa denominada Jovem Empreendedor, que previa atividades voltadas a estudantes da rede pública.
A investigação busca esclarecer se os serviços contratados foram efetivamente realizados conforme os projetos apresentados e qual foi o destino dos valores movimentados entre empresas que participaram da execução das ações.
Movimentação financeira é um dos pontos investigados
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a sequência de operações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao setor editorial.
Após os pagamentos feitos às editoras, uma empresa também ligada ao empresário teria transferido R$ 750 mil para a Go Up, produtora relacionada ao filme Dark Horse. A movimentação passou a ser analisada pela PF dentro do conjunto de transações que podem ajudar a esclarecer a origem e o destino dos recursos.
A investigação não se limita ao setor editorial. Os investigadores também analisam contratos firmados para a execução dos projetos, empresas subcontratadas, vínculos societários e relações entre pessoas que participaram das iniciativas.
Projeto educacional está no centro da apuração
O projeto Jovem Empreendedor previa ações de educação digital e empreendedorismo para alunos do ensino fundamental. A execução deveria ocorrer no município de Pirassununga, em São Paulo.
A Polícia Federal identificou indícios que, segundo a investigação, podem apontar para problemas na execução do projeto. Entre os elementos analisados estão documentos apresentados pelas empresas contratadas, a efetiva realização das atividades previstas e a circulação dos recursos depois dos pagamentos.
A apuração também encontrou propostas comerciais com características semelhantes apresentadas por empresas diferentes. Os documentos passaram a ser analisados para verificar se houve concorrência efetiva na contratação dos serviços.
Por que empresas do Ceará aparecem no caso?
A presença de empresas ligadas ao Ceará na investigação está relacionada justamente à cadeia de pagamentos examinada pela Polícia Federal.
O foco não está na atividade editorial em si, mas nas relações comerciais e financeiras estabelecidas entre empresas e entidades que receberam ou movimentaram recursos públicos destinados aos projetos investigados.
Por isso, a investigação procura identificar quem contratou cada serviço, quais atividades foram efetivamente entregues, quanto foi pago e para onde o dinheiro seguiu posteriormente.
Investigação ainda está em andamento
A inclusão de empresas ou empresários na apuração não significa, por si só, que tenha sido comprovada a prática de crime. As circunstâncias dos contratos e das movimentações financeiras ainda são objeto de investigação.
A operação também atingiu outros envolvidos no caso, enquanto as autoridades analisam documentos e informações financeiras para reconstruir o caminho dos recursos.
Mário Frias nega irregularidades e afirmou que a operação da Polícia Federal não comprovaria as acusações levantadas contra ele. A investigação segue sob análise das autoridades competentes.


