
Celebrações do Mês da Consciência Negra reúne música, dança, teatro, exposições, oficinas e atividades formativas no Dragão do Mar
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura recebe, ao longo de novembro, uma série de atividades que integram o IV Festival Afrocearensidades, cujo tema é erguer sonhos e ancestralizar futuros, realizado pelo Governo do Ceará em celebração ao Mês da Consciência Negra. Com apresentações musicais, espetáculos de dança e teatro, contação de histórias, exposições e oficinas, a programação destaca a diversidade das expressões culturais afro-brasileiras, a preservação dos saberes ancestrais e o protagonismo da população negra na formação histórica, social e cultural do Ceará.
O festival é resultado de articulações institucionais conduzidas pela Secretaria da Igualdade Racial (Seir), em parceria com a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) e as organizações sociais Instituto Dragão do Mar (IDM) e Instituto Mirante, reunindo ações em diferentes espaços da Rede Pública de Equipamentos Culturais do Ceará (Rece).
Abrindo a programação no Dragão do Mar, no dia 1º de novembro, às 16h, a Praça Verde recebe a contação “Histórias que o Mar me Contou”, com a multiartista, educadora e pesquisadora Lia Braga. Inspirada nas narrativas sobre Iemanjá, orixá de origem africana associada às águas e à proteção, a apresentação reúne narração, teatro, dança e música para compartilhar histórias que atravessam gerações e permanecem presentes nas tradições afro-brasileiras. A atividade é gratuita, destinada a todas as idades, e terá uma segunda apresentação no dia 15 de novembro.
As ações socioculturais também integram a programação do Mês da Consciência Negra, relacionando educação, cultura, participação social e enfrentamento ao racismo. A partir do dia 3 de novembro, o programa Ação Sociocultural Poeta Mário Gomes realiza encontros às terças-feiras, das 14h às 17h. A agenda começa com um encontro de redes institucionais de garantia dos direitos fundamentais da população em situação de rua. No dia 10, acontece um ateliê aberto; no dia 17, uma roda musical; e, no dia 24, uma atividade com jogos antirracistas.
A dança também integra o festival com o espetáculo “E aí, População! – um sampler de danças escuras”, criação colaborativa de Um Artista Periférico, Clau Moreira e Mateus Fazeno Rock. Em cartaz nos dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, às 19h30, no Teatro Dragão do Mar, a montagem articula dança, música e teatro a partir de experiências e conhecimentos produzidos nas periferias.
No dia 7 de novembro, às 14h, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) abre uma nova temporada expositiva, reunindo artistas de diferentes gerações e pesquisas que abordam questões relacionadas às culturas afro-brasileiras, ancestralidade, memória, território, espiritualidade.
Entre as exposições está “Livre pra Caralho”, de Blecaute, com curadoria de ana aline furtado. A mostra revisita histórias, memórias e imaginários da população negra cearense, tomando a liberdade como eixo de reflexão sobre identidade, resistência e enfrentamento aos apagamentos históricos. A pesquisa propõe outras possibilidades de representação da presença negra na formação social e cultural do Ceará.
Também com curadoria de ana aline furtado, “Pra Cada Injustiça um Oxê”, de Matheus Ribs, estabelece relações entre pintura, espiritualidade afro-diaspórica e denúncia socioambiental. A partir da simbologia de Xangô, orixá associado à justiça, o artista apresenta obras que aproximam situações de violência racial, ambiental e territorial de representações do oxê, instrumento sagrado ligado ao orixá.
A temporada inclui ainda “Arraias nadando no céu”, de kulumym-açu, com curadoria de Suellem Cosme, que investiga relações entre memória, território e práticas coletivas a partir da tradição popular das arraias, também conhecidas como pipas ou papagaios. Já “Arquivo Vivo: A Pintura dos Vaga-Lumes”, de Sabyne Cavalcanti, com curadoria de Rafael Escócio, reúne pinturas realizadas com pigmentos naturais e propõe reflexões sobre memória afetiva, natureza e degradação ambiental.
Além disso, inaugura neste mesmo dia a exposição “Terra de vento, água e sal”, com curadoria de Lucas Dilacerda. A mostra celebra os 300 anos de Fortaleza a partir de diferentes olhares sobre a história da cidade, reunindo obras de cinco artistas que abordam suas paisagens e transformações sociais. A mostra integra o projeto “Acervo In-Permanente”, do MAC-CE; que busca ampliar o acesso à coleção do museu, incentivando a pesquisa, a preservação e a difusão do patrimônio cultural. Nesta edição, o público poderá conferir obras de Leonilson, Zé Tarcísio e Letícia Façanha, além de duas artistas negras: Gi Monteiro e Jane Batista.
Ainda no dia 7, às 16h30, o Museu da Cultura Cearense (MCC) promove, por meio do projeto Varandinha Cultural, a oficina “Na cabeça, um turbante”, conduzida por Samuel Breno e Alice Guedes. Voltada ao público infantil, a atividade apresenta os turbantes como elementos de memória, beleza, identidade e expressão cultural, por meio de conversas e experimentações.
Também a partir do dia 7, o Teatro Dragão do Mar apresenta o espetáculo “Alika”, do Grupo Bricoleiros, com apresentações nos dias 7, 8, 14 e 15 de novembro, às 17h. A montagem acompanha a trajetória de uma criança que vive em um orfanato na serra de Uruburetama e encontra na imaginação e nos desenhos uma forma de compreender e transformar o mundo. Entre fantasia e realidade, a narrativa aborda as diferenças, o pertencimento, o afeto e o direito de cada criança existir e se expressar à sua maneira.
No dia 8 de novembro, acontece na Praça Verde uma atividade dedicada às leituras negras populares dos territórios, realizada por meio da parceria entre NAT/Pivete e Brincando no Dragão. Com participação de Maria de Lourdes Ferreira, a ação valoriza a oralidade e a circulação de histórias e conhecimentos, aproximando as crianças de referências culturais presentes nas comunidades.
Já no dia 13 de novembro, das 15h às 17h, a Arena Dragão do Mar recebe uma oficina de confecção de bonecas Abayomi, como parte da ação NAT/Divas, em edição dedicada à professora de arte popular conhecida como “A Bonequeira”, reconhecida como patrimônio comunitário. A atividade é gratuita, com capacidade para 20 participantes.
E no sábado, 14 de novembro, às 16h30, o MCC realiza mais uma edição da Varandinha Cultural, com a atividade “Ginga Dragão”, ministrada por Manoel Cláudio Rodrigues da Costa. A vivência convida as crianças a conhecerem a capoeira, manifestação cultural afro-brasileira, por meio de movimentos, músicas e brincadeiras. A concentração acontece na Varanda do Museu, com 10 vagas disponíveis, preenchidas por ordem de chegada. A classificação é livre.
Entre os destaques da segunda quinzena está o projeto Dragão das Encantarias, que, no dia 19 de novembro, traz o músico, percussionista e dançarino norte-americano Erick Jamal, com mais de 30 anos de estudos junto a mestres do Oeste Africano. A atividade começa às 19h, no Espaço Rogaciano Leite Filho, com uma oficina de dança do Oeste Africano. Às 20h, Erick Jamal se apresenta ao lado do grupo pernambucano DanzÁfrica Mandén, em um encontro dedicado à difusão da cultura mandingue, reunindo dança e percussão ao vivo. O acesso é gratuito.
Também no dia 20 de novembro, das 16h às 18h, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) realiza o “Café das Pretas – Roda de conversa entre profissionais negras”, com Ana Aline Furtado, Elissânia Oliveira, Joice Lima, Leidiana Lima, Magda Mota e Mariane Romão. O encontro promove o diálogo entre mulheres negras sobre trabalho, raça, permanência e produção intelectual nos espaços institucionais. A atividade acontece na Varanda do MAC-CE, com 20 vagas para mulheres negras, cis e trans, a partir de 16 anos.
A participação é gratuita, mediante inscrição pelo formulário: https://bit.ly/cafedaspretasmacce
Nos dias 27 e 28 de novembro, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura recebe, pelo segundo ano consecutivo, a ExpoFavela Ceará, evento que valoriza o empreendedorismo, a criatividade e a produção cultural das favelas e periferias. A iniciativa promove encontros, trocas de experiências e oportunidades de conexão, dando visibilidade a projetos, negócios e iniciativas desenvolvidas nesses territórios. Mais informações sobre a programação estão disponíveis no Instagram @xpofavelaceara.
Encerrando as atividades previstas para o mês, no dia 28 de novembro, às 16h30, o projeto Varandinha Cultural, do Museu da Cultura Cearense, promove a oficina “Confecção de bonecas Abayomi”, ministrada por Virgínia Ramos. Voltada a crianças a partir de 7 anos, a atividade propõe a produção de bonecas utilizando tecidos e nós, sem agulhas, associando criação manual, oralidade e contação de histórias. A proposta aborda representatividade negra, vínculos e ancestralidade, valorizando o brincar como experiência de aprendizagem e reconhecimento das identidades.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA: https://docs.google.com/document/d/1ImVVo8sWzyIKDwYhWvQoj13mfJk7Xl7uExiHq9bfuhw/edit?usp=sharing
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