
O Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), ampliou a capacidade de atendimento em eletrofisiologia com a implantação de uma sala exclusiva para procedimentos da especialidade. A nova estrutura permite ampliar a oferta de estudos eletrofisiológicos e de ablações, utilizados no diagnóstico e no tratamento de arritmias cardíacas, condições que alteram o ritmo ou a frequência dos batimentos do coração.
A secretária Tânia Mara Coelho visitou a nova sala de eletrofisiologia do Hospital de Messejana, exclusiva para procedimentos e tratamento de arritmias cardíacas
Antes da implantação do novo espaço, os procedimentos eram realizados três vezes por semana, em horários específicos, alternando entre o centro cirúrgico e a sala do serviço de hemodinâmica. Com a mudança, a equipe passa a atuar de segunda a sexta-feira, em dois turnos, ampliando a capacidade de atendimento.
“Fazíamos, em média, 12 procedimentos por semana. Com a nova estrutura, nossa projeção é realizar de 20 a 25 procedimentos semanais, chegando a uma média mensal de 100. É uma ampliação significativa da oferta, que beneficiará pacientes internados e eletivos”, explica o coordenador do serviço de Eletrofisiologia, Evilásio Leobino.
Ablação é um procedimento minimamente invasivo, realizado por meio de cateteres, com o objetivo de corrigir os sinais elétricos responsáveis pela alteração do ritmo cardíaco
Um dos pacientes beneficiados pelo serviço é o autônomo Raimundo Mateus da Silva, de 55 anos, acompanhado ambulatorialmente pelo Hospital de Messejana há quatro anos. Na última quarta-feira (21), ele foi submetido a uma ablação complexa para tratar a fibrilação atrial (FA), um dos tipos mais comuns de arritmia cardíaca.
Segundo Mateus da Silva, filho e acompanhante do paciente, Raimundo continuava apresentando cansaço, mal-estar e tontura, mesmo fazendo o uso de medicamentos.
“Os remédios não estavam mais sendo suficientes e, por isso, ele precisou fazer o procedimento. Agora, esperamos que os sintomas diminuam e que ele tenha mais qualidade de vida”, relata.
A eletrofisiologia é a área da cardiologia dedicada à investigação e ao tratamento dos distúrbios do ritmo cardíaco. Entre os procedimentos realizados pela especialidade estão o estudo eletrofisiológico (EEF), que permite identificar alterações na atividade elétrica do coração, e as ablações por cateter, que podem ser convencionais ou complexas.
As ablações convencionais são utilizadas no tratamento de diferentes tipos de arritmia. Já as complexas incluem procedimentos para tratar condições como a fibrilação atrial e casos que exigem maior complexidade técnica, a exemplo de determinados pacientes com cardiodesfibrilador implantável (CDI) ou doença de Chagas. Essas intervenções podem demandar materiais específicos e de maior custo.
A nova sala também oferece melhores condições para o uso do sistema de mapeamento eletroanatômico já disponível no hospital. A tecnologia permite construir uma representação tridimensional das estruturas cardíacas e da atividade elétrica do coração, auxiliando a equipe a localizar os pontos responsáveis pela arritmia. Com o equipamento instalado permanentemente no espaço, não é mais necessário transportá-lo a cada procedimento, o que facilita sua utilização e a organização da rotina assistencial.
A implantação do novo espaço também amplia as condições para a realização de procedimentos de maior complexidade. Entre os casos já atendidos pela equipe está uma ablação realizada em paciente sob circulação extracorpórea, com a presença de um cirurgião cardíaco na sala para prestar suporte diante de possíveis intercorrências e de um procedimento cardiológico inovador, em um paciente com síndrome de Brugada, uma condição genética rara que aumenta o risco de arritmias potencialmente fatais e morte súbita, mesmo em pessoas sem sinais prévios de doença cardíaca.
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