Imagem: Prefeitura de Fortaleza
Familiares que autorizaram a doação de órgãos, pessoas transplantadas, profissionais de saúde e integrantes da rede de transplantes se reuniram, nesta sexta-feira (25/09), no Paço Municipal, para o 14º Encontro das Famílias Doadoras de Órgãos do Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF). O evento integra a programação do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos.
Como destacou o prefeito Evandro Leitão, a iniciativa busca valorizar as famílias que, em um momento de luto, autorizaram a doação, contribuindo para que outras pessoas tivessem a oportunidade de continuar vivendo.
“Esse é um momento muito importante para agradecer às famílias que fazem um gesto de salvar vidas. O IJF tem essa especificidade e essa característica importante de representar cerca de 30% dos doadores que existem no Estado do Ceará. Se pudéssemos resumir esse momento em uma palavra, eu diria: empatia. É nos colocarmos no lugar do outro em um momento de tanta dificuldade, quando as famílias estão tão machucadas. Mas também é um gesto de continuidade da existência. Aquele que estava necessitando da doação recebe e tem a possibilidade de salvar e resgatar sua vida”, concluiu o prefeito.
Aline Gouveia, secretária-adjunta da Saúde (SMS), comentou que o encontro de famílias doadoras do IJF representa um momento de reconhecimento à solidariedade das famílias e de reflexão.
“Existem dois grandes aspectos que enxergamos neste momento. Primeiro, o aspecto científico, porque a ciência possibilita que uma pessoa receba um órgão de outra e possa continuar vivendo. Mas também existe um aspecto espiritual. Muitas vezes, a família sequer conhece a pessoa que vai receber o órgão, mas confia que a ciência pode possibilitar a doação e que outras pessoas poderão continuar vivendo de forma plena”, afirmou.
Atuação da equipe de doação
No IJF, todo o processo de captação de órgãos é realizado pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT). O grupo conta com mais de 20 profissionais, entre médicos e enfermeiros, que atuam em regime de plantão 24 horas por dia, sete dias por semana.
Marilac Pereira já vive com um coração transplantado há 24 anos e contou que, desde a primeira edição, participa do encontro com as famílias de doadores. Para ela, é uma forma de agradecer e celebrar a continuidade da vida.
“Eu tinha feito a ponte de safena, mas o coração ficava cada vez mais comprometido e aumentado. Depois, voltei para a fila do transplante e fiquei um ano e três meses esperando. Cheguei a ser preparada umas cinco vezes, mas não deu certo. Na outra oportunidade, deu certo e eu recebi o coração de um rapaz de 20 anos, na época. Hoje, estou com 24 anos de transplantada e só tenho a agradecer, primeiramente a Deus e à família que fez a doação. Graças a essa doação, eu pude continuar vivendo, vendo os filhos casarem e os netos chegarem. Isso é muito bom”, contou Marilac.
Já Adriana Sá é mãe de Whendell Freitas, que faleceu em um assalto. Adriana conta que seu filho sempre ajudou as pessoas do bairro, principalmente as crianças, organizando festas e brincando com elas. Assim, ela não teve dúvidas de que essa seria a melhor forma de manter o legado do filho.
“Foi uma maneira que encontrei de manter a memória do meu filho viva, ajudando outras pessoas. Quando me disseram que ele tinha a chance de salvar duas vidas, eu agi com o coração. Eu sei que ele queria isso, porque era uma pessoa que ajudava muito os outros”, relatou Adriana.
“Para mim, saber que algo dele está aí é gratificante. Para quem doa, é um momento muito triste, porque a gente não quer se despedir, mas é também um ato de amor. Foi a única forma que encontrei de mostrar ao meu filho que eu o amava e que uma parte dele permaneceria viva no mundo. E, para quem recebe, também é um ato de amor e de gratidão, porque é a oportunidade de continuar a vida e ter o privilégio de viver normalmente”, acrescentou.
Joyce Lima comentou como foi o processo de doação de órgãos do neto, Arthur Santos, de quatro anos.
“Quem faleceu foi meu neto, Arthur Santos, de quatro anos. Ele foi vítima de um afogamento durante um fim de semana com a família, e isso aconteceu como uma tragédia na nossa vida. Quando foi constatada a morte cerebral, recebemos a proposta de doar os órgãos dele. Como ele era uma criança saudável, cheia de vida e de energia, nada mais justo do que ajudar de sete a oito crianças que estavam precisando”, relatou Joyce.
Destaque nacional
Em 2025, o IJF realizou 152 captações de órgãos. De janeiro a agosto de 2026, o hospital já contabiliza 128 captações, sendo 48 de múltiplos órgãos e 80 de córneas. O hospital também alcançou, em 2026, índice de 82% de autorização familiar para a doação. O percentual está acima da média nacional, de aproximadamente 55%.
João Gilberto, superintendente do IJF, comentou os números e destacou a atuação da equipe na abordagem às famílias.
“Isso se deve à expertise da equipe e à abordagem multidisciplinar, com psicólogo, enfermeiro, médico e assistente social, oferecendo um atendimento mais humanizado e acolhedor, com o objetivo de compreender a dor da família que passa por um momento tão difícil. Essa dor pode ser transformada em esperança. Por isso, é importante conscientizar a população sobre a doação. Muitas vezes, uma história que termina pode dar início a muitas outras histórias. O IJF desempenha um papel de destaque nesse trabalho, inclusive em nível nacional, e isso é construído por muitas mãos”, afirmou João Gilberto.
📰 Fonte Oficial:
Prefeitura de Fortaleza –
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