Uma sequência de prints divulgados pela influenciadora digital Marcella Muniiz, em vídeo nas redes sociais, expôs o teor de conversas que seriam de um grupo de WhatsApp intitulado “UNIFOR COM FLÁVIO”. O material, que ainda não teve a autenticidade confirmada e cuja vinculação com alunos da Universidade de Fortaleza não foi oficialmente comprovada, revela mensagens que normalizam a violência contra a mulher, atacam minorias e fazem apologia a discursos de ódio. A universidade ainda não se manifestou sobre o caso.
Nos prints, um dos trechos mais graves mostra um integrante questionando diretamente se poderia agredir a própria esposa caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) volte ao poder. “É verdade q o bolsonaro vai deixar eu bater na minha mulher?”, pergunta. A resposta de outro membro é taxativa: “Sim.” Em seguida, um terceiro usuário complementa: “Ninguém tá te segurando não”. A escalada da violência verbal continua quando outro participante afirma: “Se você não tiver armado pra se defender sim”. O diálogo, além de expor misoginia explícita, sugere uma normalização da agressão física como ferramenta de controle doméstico.
Outro ponto de destaque é uma enquete publicada no grupo, intitulada “Eu vou votar”. As opções apresentadas eram “Bolsonaro”, que recebeu 4 votos, e “Lula (eu me declaro gay, pobre, burro, minoria altamente injustiçada, arrombado)”, que não obteve votos. A descrição atribuída ao voto em Lula mistura homofobia, capacitismo e preconceito social em uma única frase, evidenciando não apenas uma preferência política, mas um ataque direto a minorias e a eleitores de esquerda. Mais adiante, um integrante compartilha uma imagem de uma pessoa chutando um símbolo LGBTQIA+, reforçando o tom hostil contra a comunidade.
Os prints também revelam ameaças veladas e deboche em relação a possíveis consequências. Em um dos trechos, um usuário escreve: “só pra falar que tomem cuidado aí nas mensagens que todo mundo ta vendo essas putaria de misoginia, ameaça, e machismo, inclusive até tir…” e, em seguida, desafia: “Que venham me pegar. Rua M…”. A mensagem sugere que o autor tem consciência do teor criminoso das falas, mas demonstra desprezo por qualquer represália. Em outro momento, ao se discutir uma possível punição universitária, um participante ironiza: “se for criminoso e bem explicito deve render uma advertência formal e se for muito fudido uma expulsao”. A resposta seguinte é de deboche: “Vão ter q catar as merda de gato pela unifor kkkkk”.
Há ainda ataques direcionados a mulheres petistas. Em um dos diálogos, ao se referir a uma suposta integrante do grupo, um usuário escreve: “Ainda mais se for ela for petista”, seguido de uma mensagem curta e debochada: “Siri”. O termo, usado como gíria para se referir a alguém que se cala, reforça o tom de desqualificação e hostilidade contra mulheres que se posicionam politicamente. Em outro trecho, um participante comenta: “A casa já diz muito irmão….”, enquanto outro responde: “A petralhada passa MAL”, em referência ao impacto que a divulgação do conteúdo teria sobre opositores políticos.
A divulgação feita por Marcella Muniiz gerou revolta nas redes sociais e pedidos de posicionamento da universidade. Até o momento, não há confirmação oficial de que o grupo seja composto por alunos da Unifor, nem de que os números de telefone e nomes riscados nos prints pertençam a estudantes da instituição. A reportagem procurou a universidade para solicitar posicionamento oficial, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
A apuração segue em andamento para verificar a autenticidade dos prints, identificar os participantes do grupo e confirmar se há vínculo com a comunidade acadêmica da Unifor. Especialistas ouvidos preliminarmente apontam que as falas podem configurar, em tese, crimes de incitação à violência e violência psicológica, previstos na Lei Maria da Penha e no Código Penal, dependendo do contexto e da identificação dos autores. A universidade, que já se manifestou publicamente contra atos de violência e intolerância em outras ocasiões, deve ser cobrada a esclarecer se os envolvidos são alunos e quais medidas serão adotadas caso a vinculação seja confirmada.