A falta de segurança é o principal motivo que afasta mulheres dos estádios de futebol no Brasil, como revela estudo publicado em 2024 pela W.LAb, em parceria com os institutos Ideia, Locomotiva e Pinion. Diante desse cenário, o vereador Popó da Torcida (Progressistas) apresentou a Indicação nº 766/2026, que sugere a criação do programa Arquibancada Segura para Elas, com a implantação de Pontos Lilás em equipamentos esportivos municipais durante eventos de maior público.
A iniciativa prevê espaços de acolhimento para mulheres que enfrentem situações de assédio, constrangimento ou violência durante as partidas e demais eventos esportivos. A proposta estabelece que os pontos sejam identificados e acessíveis, com atendimento reservado, realizado por equipes capacitadas para orientar as vítimas e encaminhá-las aos órgãos competentes.
Além do acolhimento, o programa prevê a articulação entre as políticas municipais de esporte, saúde, assistência social e segurança cidadã. A Indicação também abre a possibilidade de parcerias com clubes, administradores de arenas, organizadores de eventos, órgãos estaduais de segurança e organizações da sociedade civil.
Pesquisas dimensionam o problema
A insegurança nos ambientes esportivos faz parte de um cenário mais amplo de violência e assédio contra mulheres. A pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026, do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, aponta que sete em cada dez mulheres entrevistadas em dez capitais brasileiras já sofreram algum tipo de assédio. Em Fortaleza, 52% relataram ter passado por essa situação em locais públicos.
Outro levantamento, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), comparou registros de violência contra mulheres com o calendário do futebol brasileiro e identificou um aumento de 28,8% nos casos de agressão em dias de jogos.
Os números evidenciam diferentes dimensões da insegurança feminina, desde o assédio em espaços públicos até a violência registrada em dias de partidas. Nesse contexto, a proposta busca estabelecer uma estrutura de acolhimento dentro dos equipamentos esportivos municipais, com procedimentos para atender as mulheres e acionar a rede de proteção.
Trâmite
A Indicação encontra-se na Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ), aguardando a votação do parecer do relator. Se aprovada, seguirá para apreciação do Plenário. Caso os vereadores aprovem, será encaminhada ao Executivo para ciência. Por se tratar de uma Indicação, é preciso que o prefeito Evandro Leitão (PT) envie mensagem ao Legislativo, a fim de que a proposição seja formalizada como projeto e passa a ser implementada.
Foto: Érika Fonseca






