
Contemplar o tempo, para alguns, é comum. Para outros, faz toda a diferença
Maria da Penha Moura, 71, não cabia em si de felicidade. “Vou passear”, repetia, enquanto a equipe multidisciplinar da UTI Amarela do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a acompanhava e transportava o leito para o tal passeio. O destino era próximo — o corredor lateral do andar —, mas, para quem estava há oito dias sem ver a luz do dia, sentir a brisa da tarde fortalezense e avistar o movimento da cidade foi uma experiência transformadora.
Aos poucos, a contemplação deu lugar a um sorriso persistente. Maria fazia planos e contava histórias, ânimo que se intensificou com a chegada do filho, o vigilante Sérgio Moura, 45. “Isso é muito bom para a recuperação dela. Fico muito feliz. Obviamente, a vontade que temos é de tê-la em casa, mas vê-la assim é confortante demais”, comentou ele.
Mãe e filho se atualizam das novidades durante passeio
“A UTI é um espaço muito restrito, muito fechado, onde os pacientes permanecem muito tempo e, muitas vezes, ligados a equipamentos, sedados, em ventilação mecânica. Passam longos períodos no leito sem conseguirem sair para ver sequer a luz do sol”, detalha Nilce Almino de Freitas, que coordena os profissionais de fisioterapia de unidades consideradas críticas, como a UTI.
O caso de Maria da Penha se encaixa nestes requisitos. Ela entrou no serviço para compensação do quadro, ou seja, estar estável o suficiente para a realização dos exames e tratamentos necessários, após realizar uma cirurgia de desobstrução intestinal. A saída para a janela aconteceu no dia 27 de março e, naquele mesmo dia, ela foi transferida para uma enfermaria no próprio HGF.
A equipe multidisciplinar que acompanhou Maria da Penha em seu “passeio”
“O projeto integra mobilização precoce, estímulos ambientais, atuação multiprofissional e expande o espaço terapêutico para além da UTI. Então é um compromisso que a gente afirma com esses pacientes, de tentar realmente fazer algo diferente para que isso repercuta na recuperação funcional deles”, pontua a fisioterapeuta.



