As eleições de 2026 estabeleceram um novo marco para a participação feminina na política do Ceará. O resultado das urnas deste domingo (4) garantiu a eleição de 19 mulheres para o Legislativo, sendo cinco para a Câmara dos Deputados e 14 para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
Na Câmara, a representação feminina cearense passará de três parlamentares eleitas em 2022 para cinco no próximo mandato, que começa em 2027. As novas representantes serão Tainah Marinho (PSB), Giordanna Mano (PRD), Fernanda Pessoa (PSD), Erika Amorim (Republicanos) e Luisa Cela (PT).
Tainah Marinho foi o principal destaque entre as mulheres eleitas. Com 265.585 votos, ela alcançou a maior votação já obtida por uma candidata ao cargo de deputada federal no Ceará. Giordanna Mano ficou em seguida, com 235.848 votos.
Mais mulheres na Assembleia
O avanço também foi expressivo na Assembleia Legislativa. Das 46 cadeiras disponíveis, 14 serão ocupadas por mulheres a partir de 2027. O número representa um crescimento de cinco vagas em relação à eleição anterior e faz da nova composição a maior bancada feminina já formada na Casa.
Entre as eleitas estão Bella Carmelo, Liziany Medeiros, Laís Nunes, Jade Romero, Jô Farias, Fabiola Carneiro, Paloma Nunes, Manu Pimenta, Dra. Silvana, Marta Gonçalves, Lia Gomes, Georgia do Marcelão, Emília Pessoa e Dra. Mayra Pinheiro.
Bella Carmelo (PL) foi a mulher mais votada para a Alece, com 130.802 votos, ficando também entre os três candidatos mais votados de toda a disputa para o Legislativo estadual.
A nova composição terá representantes de diferentes correntes partidárias, incluindo PL, PSB, PT, Solidariedade e PSDB, ampliando a presença feminina em diferentes espectros da política estadual.
Crescimento ainda não significa igualdade
Apesar do avanço registrado nas urnas, a representação das mulheres continuará abaixo da participação feminina na população cearense. As mulheres correspondem a pouco mais da metade dos habitantes do Estado, mas ocuparão cerca de 30% das cadeiras da Assembleia no próximo mandato.
Na bancada cearense da Câmara dos Deputados, as cinco eleitas representarão aproximadamente 22,7% das 22 vagas destinadas ao Estado.
O resultado, portanto, combina dois movimentos: de um lado, o crescimento histórico da presença feminina nas instituições legislativas; de outro, a permanência de uma diferença significativa entre a participação das mulheres na sociedade e sua representação política.
Reeleições e novas lideranças
A eleição também marcou a continuidade de algumas parlamentares. Na Câmara, Fernanda Pessoa garantiu a permanência no cargo. Na Assembleia, foram reeleitas Dra. Silvana, Marta Gonçalves, Jô Farias, Emília Pessoa e Lia Gomes.
Dra. Silvana também alcançou um feito inédito entre as mulheres no Legislativo estadual: foi eleita para o quarto mandato como deputada estadual.
Ao mesmo tempo, a chegada de novas parlamentares renova a composição das duas Casas e amplia o número de mulheres que terão participação direta nas decisões sobre políticas públicas, orçamento e legislação nos próximos quatro anos.
O resultado das eleições de 2026 coloca, assim, o Ceará diante de uma nova configuração política: nunca tantas mulheres haviam sido escolhidas pelos eleitores cearenses para ocupar simultaneamente cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.