O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar uma nova estratégia de comunicação nas redes sociais para o segundo turno das eleições. Por orientação de aliados e integrantes da campanha, o petista começou a gravar vídeos no formato selfie, segurando o próprio celular e falando diretamente com o público.
A mudança foi colocada em prática nesta quarta-feira (7), quando Lula publicou o primeiro vídeo nesse formato durante a campanha. Na gravação, o presidente fez um chamado para que apoiadores fossem às ruas conversar com eleitores e reforçou a necessidade de mobilização na reta final da disputa.
A ideia de apostar nesse tipo de conteúdo partiu do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que sugeriu ao presidente uma comunicação mais próxima da linguagem utilizada nas redes sociais. Fonteles é um dos aliados que passaram a participar das discussões sobre os rumos da campanha após o resultado do primeiro turno.
O formato representa uma mudança em relação às gravações tradicionais da campanha, que costumam contar com produção profissional, cenário preparado e roteiro previamente estruturado. Na proposta do selfie, Lula aparece de maneira mais direta diante da câmera, em vídeos pensados para circulação rápida nas plataformas digitais.
Segundo vídeo já aborda proposta de campanha
A nova linguagem não ficou restrita ao primeiro vídeo. Em uma segunda gravação, Lula utilizou o formato para falar sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
No vídeo, o presidente questionou como Flávio Bolsonaro e o PL pretendem se posicionar diante da proposta. A escolha do tema mostra que a estratégia também deve servir para transformar assuntos da campanha em conteúdos curtos e direcionados para as redes.
A mudança ocorre depois de críticas internas sobre o desempenho da comunicação digital no primeiro turno. Lula terminou aquela etapa da eleição em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro, que teve 47,03%.
Campanha busca ampliar alcance entre jovens
A aposta no formato selfie está relacionada também à tentativa de aproximar Lula de um público que tem forte consumo de conteúdo pelas redes sociais, especialmente os eleitores mais jovens.
A campanha passou a reunir parlamentares eleitos e lideranças com forte presença digital para discutir uma estratégia conjunta para o segundo turno. Entre os nomes envolvidos estão jovens políticos que construíram parte significativa de suas campanhas na internet.
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, é uma das novas integrantes desse esforço. Ela foi chamada para colaborar com a comunicação digital da campanha depois de obter mais de 500 mil votos em Minas Gerais.
Além dos vídeos publicados pelo próprio Lula, a campanha pretende ampliar a participação de aliados, influenciadores e parlamentares na produção e distribuição de conteúdos. A intenção é alcançar diferentes públicos e aumentar a circulação das mensagens do candidato.
Mudança ocorre após resultado apertado no primeiro turno
A nova estratégia foi definida em um momento de revisão da campanha petista. A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno ficou em cerca de 2,2 milhões de votos, o que levou o núcleo da candidatura a buscar novas formas de comunicação e mobilização.
A equipe também passou a dar maior atenção ao eleitorado que não compareceu às urnas. Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, e a redução da abstenção passou a ser apontada como uma das prioridades para a segunda etapa da disputa.
Nesse cenário, a comunicação digital ganhou espaço nas reuniões de campanha. A estratégia combina os vídeos mais espontâneos de Lula com a atuação de aliados que possuem grande alcance nas redes.
A campanha também pretende manter ações presenciais, participação em debates, entrevistas em rádio e televisão e atos políticos. A diferença é que, no segundo turno, esses conteúdos passam a ser acompanhados por uma presença mais frequente e direta do candidato nas plataformas digitais.
A mudança, portanto, não representa apenas uma alteração estética nos vídeos. É parte de uma tentativa da campanha de adaptar a comunicação de Lula ao ambiente das redes e ampliar o contato do candidato com eleitores durante as semanas que antecedem a votação de 25 de outubro.

