Luiz Girão afirma que visita de Lula ao Ceará não deve acrescentar votos a Elmano, chama governador de “gente boa”, mas diz que ele é uma “marionete” de Camilo; empresário ainda aposta em vitória de Ciro por 2 a 3 pontos
O empresário Luiz Prata Girão, fundador da Betânia e ex-deputado federal, voltou a chamar atenção no cenário político cearense após elevar o tom contra o grupo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarar apoio à candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará.
Em um vídeo que passou a circular nas redes sociais, Girão fez uma avaliação direta sobre a presença de Lula na campanha estadual e afirmou que a visita do presidente ao Ceará não representaria ganho eleitoral para o governador Elmano de Freitas (PT).
Para o empresário, a presença de Lula no Estado não seria suficiente para alterar o cenário eleitoral em favor do governador.
Girão também fez uma avaliação pessoal de Elmano. Disse considerar o governador uma pessoa “gente boa”, mas afirmou que ele estaria politicamente subordinado ao ex-governador e atual ministro Camilo Santana.
Na avaliação do fundador da Betânia, Elmano seria uma espécie de “marionete de Camilo”, numa das críticas mais contundentes feitas por ele ao grupo que comanda o Governo do Ceará.
“Prefeitos estão com medo de perder cargos”
Outro ponto levantado por Girão envolve os prefeitos cearenses que têm declarado apoio a Elmano.
O empresário afirmou que parte desses gestores estaria ao lado do governador não necessariamente por convicção eleitoral, mas por receio de perder espaço político e cargos.
A leitura de Girão é de que a estrutura do Governo do Estado teria influência direta sobre as escolhas de prefeitos e lideranças municipais.
A declaração acrescenta uma dimensão importante ao discurso do empresário: para ele, o apoio político recebido por Elmano não refletiria integralmente a vontade dos eleitores, mas também interesses relacionados à manutenção de espaços dentro da máquina pública.
Trata-se, contudo, de uma avaliação política feita pelo próprio Girão, e não de uma constatação comprovada de que prefeitos estejam apoiando o governador exclusivamente por esse motivo.
A aposta em Ciro
Mesmo diante da força política de Lula no Ceará, Girão demonstra confiança na possibilidade de Ciro Gomes vencer a disputa pelo Governo do Estado.
O empresário afirmou acreditar em uma vitória de Ciro com uma diferença de 2% a 3% sobre Elmano.
A previsão é ousada diante de uma eleição que, segundo pesquisas recentes, apresenta uma disputa bastante competitiva entre os dois principais candidatos. Levantamentos divulgados ao longo de 2026 apontam cenários de equilíbrio, com variações conforme o instituto e o momento da coleta.
Girão, porém, sustenta que existe no interior do Ceará um sentimento de mudança e que esse movimento poderá favorecer Ciro.
Essa percepção não é nova. Em manifestações anteriores, o empresário já havia afirmado perceber entre eleitores do interior uma vontade de renovação política e apresentado Ciro como o nome capaz de liderar esse processo.
“O PT é um estrago”
As críticas de Girão não se limitam à política estadual.
O empresário também vem fazendo críticas contundentes ao Partido dos Trabalhadores. Em uma de suas declarações, resumiu sua avaliação sobre a legenda dizendo: “O PT é um estrago”.
A frase acabou ganhando força justamente porque Girão não é um personagem desconhecido da política cearense.
Aos 78 anos, ele carrega uma trajetória construída tanto no setor empresarial quanto na vida pública. Foi deputado federal e construiu sua reputação principalmente à frente do grupo Betânia, empresa que se tornou uma das referências da indústria de laticínios no Nordeste.
Sua entrada novamente no debate político dá peso às declarações e explica a repercussão provocada nas redes sociais.
De empresário a cabo eleitoral de Ciro
Girão não esconde sua preferência por Ciro Gomes.
O empresário tem participado de articulações políticas e encontros da oposição e passou a defender publicamente o nome do ex-governador para a disputa estadual.
A aproximação não é apenas protocolar. Girão tem feito avaliações sobre o cenário eleitoral, atacado o grupo governista e demonstrado confiança de que Ciro poderá derrotar Elmano.
É nesse contexto que a expressão “motor batido”, usada em tom crítico nas manifestações que repercutem nas redes, passou a ser associada à sua avaliação sobre o cenário político e ao confronto com o grupo governista.
Reação nas redes
O posicionamento também trouxe reação.
Depois de criticar Lula, questionar a força eleitoral da presença do presidente no Ceará, chamar Elmano de “marionete” de Camilo e afirmar que prefeitos estariam apoiando o governador por medo de perder cargos, Girão passou a receber críticas de adversários políticos nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, suas declarações encontraram apoio entre setores que fazem oposição ao PT e defendem uma mudança no comando do Governo do Ceará.
O embate mostra como a pré-campanha de 2026 vem ganhando temperatura antes mesmo da abertura oficial da disputa eleitoral.
Uma aposta contra a máquina
A tese de Luiz Girão pode ser resumida em três pontos: Lula não seria capaz de transferir votos suficientes para Elmano apenas com sua presença no Ceará; o governador teria sua imagem excessivamente vinculada a Camilo Santana; e a estrutura política estadual seria responsável por parte dos apoios que o petista recebe entre prefeitos.
Do outro lado, as pesquisas disponíveis mostram que Lula mantém forte associação com a candidatura de Elmano entre os eleitores cearenses. Um levantamento recente apontou que 51% dos entrevistados identificavam Elmano como o candidato apoiado por Lula.
É justamente contra esse cenário que Girão aposta suas fichas.
Para ele, a eleição será decidida pela percepção do eleitor sobre a política estadual, e não simplesmente pela força de Lula.
E sua previsão é clara: Ciro vencerá Elmano por uma diferença de 2% a 3%.
A aposta transforma Luiz Girão em uma das vozes empresariais mais incisivas do campo que tenta tirar o PT do comando do Ceará.
O empresário que construiu a Betânia no sertão agora aposta seu prestígio político em uma nova disputa — e faz questão de dizer, em público, quem considera responsável pelos problemas que enxerga no Estado e no país.


