O humorista e youtuber Felca — nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, natural de Londrina (PR) — alcançou mais de 14 milhões de visualizações no YouTube com um vídeo que vai muito além do entretenimento. Na publicação, ele denuncia a adultização de crianças nas redes sociais, tema que reacendeu debates sobre segurança digital, responsabilidade de influenciadores e atuação das plataformas online.
Com seu estilo irônico e provocador, Felca criticou diretamente o influenciador Hytalo Santos, apontando que parte de seu conteúdo expunha crianças e adolescentes de forma sexualizada, o que poderia atrair audiência adulta com interesses criminosos. O youtuber mostrou exemplos de vídeos e postagens que, segundo ele, configuravam um “circo macabro” de exploração da imagem de menores.
A repercussão foi imediata. Horas após o vídeo viralizar, perfis de Hytalo em redes sociais começaram a ser alvo de denúncias em massa e, pouco depois, foram desativados. O influenciador já era alvo de investigações do Ministério Público da Paraíba por exposição e exploração de menores, com dois inquéritos em andamento — um em João Pessoa e outro em Bayeux. Os pais de alguns jovens que apareciam nas gravações também estão sob investigação por possível omissão de proteção.
Felca destacou que pretende usar seu alcance digital para alertar sobre como o algoritmo das plataformas pode potencializar conteúdos problemáticos, incentivando práticas nocivas. “Não é só sobre humor, é sobre proteger quem não tem voz aqui dentro”, afirmou no vídeo.
O caso levantou uma questão central no ecossistema digital: até que ponto influenciadores podem ser responsabilizados pelo impacto de seu conteúdo? Especialistas em comportamento online alertam que a adultização precoce pode ter consequências psicológicas graves e reforçam a necessidade de ações conjuntas entre famílias, criadores e empresas de tecnologia para proteger crianças e adolescentes.
Até o momento, Hytalo Santos não se pronunciou sobre as acusações. Felca, por sua vez, segue ativo nas redes, prometendo novas produções que misturam humor e críticas sociais. Enquanto isso, a discussão sobre os limites e a ética do conteúdo digital segue dominando o debate público.